A rotina de deslocamento diário para trabalho, estudo, compras ou lazer se dá de diversas maneiras. Apesar do crescimento do uso de veículos elétricos e autônomos, uma parte significativa da população ainda prefere o tradicional ônibus do transporte público, que opera quase 24 horas por dia em toda a cidade. Aproximadamente 60 mil pessoas fazem uso desse sistema diariamente, que é composto por 149 ônibus, incluindo 15 elétricos, e possui cinco terminais de transbordo.
A percepção de segurança proporcionada pelo tamanho dos ônibus e sua velocidade reduzida pode enganar os passageiros, levando-os a acreditar que este modo de transporte está livre de acidentes. Contudo, os números revelam uma realidade alarmante. Segundo dados da Transitar, no ano passado foram registrados 299 acidentes envolvendo ônibus do sistema público. Dentre esses, 145 foram com veículos da Viação Capital do Oeste e 154 da Pioneira, mostrando um certo equilíbrio entre as duas empresas.
Os índices neste ano não são melhores. Apenas nos quatro primeiros meses já foram contabilizados 93 acidentes, sendo 41 relacionados aos ônibus da Viação Capital do Oeste e 52 da Pioneira.
Passageiros sob risco?
Cada incidente representa um perigo direto para os passageiros, visto que os coletivos não estão equipados com cintos de segurança. Freadas bruscas podem arremessar as pessoas dentro do veículo, resultando em ferimentos cuja gravidade depende tanto da intensidade da colisão quanto da imprudência envolvida.
Os dados são preocupantes e revelam uma situação mais arriscada do que muitos acreditam. As colisões ocorrem em horários variados e têm gerado apreensão entre aqueles que dependem do transporte coletivo diariamente. Na semana passada, um incidente em um cruzamento movimentado no Bairro Santo Onofre deixou um homem de 27 anos ferido na cabeça e no rosto após o ônibus em que ele estava colidir com um carro.
Conversões perigosas!
A reportagem teve a oportunidade de conversar com Jorge Luiz Pinheiro, gerente da Divisão de Trânsito da Transitar, que expressou sua preocupação com o elevado número de acidentes. Ele mencionou que a maior parte das colisões acontece nos corredores exclusivos para ônibus, especialmente nas avenidas Brasil, Carlos Gomes, Tancredo Neves e Barão do Rio Branco, devido a conversões à esquerda realizadas de maneira irregular.
“Sempre incentivamos os motoristas a prestarem atenção à sinalização, dirigirem com cautela e respeitarem as normas para prevenir este tipo de sinistro. Quando ocorre uma conversão proibida e um ônibus colide com outro veículo, geralmente se trata de uma colisão lateral, cujas consequências podem ser graves devido à diferença entre os tamanhos dos veículos”, esclareceu.
Pinho também alertou que os riscos não afetam apenas quem está nos carros ou motos; os passageiros também podem ser prejudicados. Muitas vezes, o motorista precisa frear abruptamente para evitar uma batida, o que pode fazer com que os ocupantes se machuquem dentro do coletivo.
A invasão das faixas exclusivas para ônibus por motoristas apressados é outra infração apontada frequentemente pela Transitar. Essa prática é considerada grave e acarreta não só risco de acidentes mas também penalizações financeiras ao condutor. “É essencial que todos respeitem asinalização, evitando utilizar as áreas designadas aos ônibus. Além dos riscos associados aos acidentes, essa infração resulta em multas e pontos na CNH”, enfatizou.
Imprudência: a verdadeira “indústria das multas”
Ainda que regras tenham sido estabelecidas há mais de dez anos nas principais vias da cidade, muitos motoristas continuam a ignorá-las. Na tentativa de economizar alguns segundos ou evitar certas rotatórias, muitos acabam realizando a famosa “viradinha rápida”, uma conversão proibida que pode culminar em duas situações: receber uma multa ou envolver-se em um acidente com ônibus do transporte coletivo.
Dados coletados pelos radares eletrônicos indicam que somente nos três primeiros meses deste ano foram aplicadas 4.716 multas por conversões irregulares. Essa infração se tornou a segunda mais frequente cometida por motoristas em Cascavel, superando até mesmo as infrações relacionadas ao avanço do sinal vermelho. A violação está prevista no artigo 207 do Código de Trânsito Brasileiro e resulta em multa no valor de R$ 195,23 além da adição de cinco pontos na CNH.
Estatísticas sobre Multas e Legislação
A educadora de trânsito e presidente do Cotrans (Comitê de Trânsito de Cascavel), Luciane de Moura, ressaltou que a proibição das conversões nas principais avenidas foi implementada para aumentar a segurança para todos os usuários do trânsito. “Essa medida visa proteger não apenas os passageiros dos transportes coletivos mas também ciclistas e pedestres”, destacou ela.
Ainda segundo Luciane, as autoridades estão particularmente preocupadas com usuários de veículos autopropelidos, considerados ainda mais vulneráveis durante acidentes. Ela afirmou que desatenção e desrespeito às normas podem resultar em colisões severas: “É crucial que todos estejam atentos e compreendam que as sinalizações devem ser respeitadas. A imprudência coloca vidas em risco todos os dias”, alertou.
Maio Amarelo foca na educação no trânsito
No mês atual dedicado ao movimento Maio Amarelo — uma campanha voltada à segurança viária — a Transitar intensificou suas ações educativas através do Departamento de Educação no Trânsito. Recentemente foram realizadas atividades voltadas aos usuários do transporte coletivo no Terminal Oeste.
A proposta consistiu em promover reflexões sobre mobilidade urbana entre os passageiros, conscientizando-os sobre seus papéis como usuários do sistema, pedestres e motoristas. A iniciativa destacou a importância do respeito mútuo e atenção no trânsito.
<pDurante essas atividades, orientações básicas foram fornecidas aos usuários: esperar pelo desembarque antes de entrar no ônibus strong>, ceder lugares para idosos e gestantes ou pessoas em situação vulnerável; além disso foi ressaltada a proibição do consumo de cigarros dentro dos coletivos strong > . Os participantes tiveram também a oportunidade de deixar mensagens no quadro da Transitar comprometendo-se com atitudes mais responsáveis no trânsito.
Orientações aos Usuários sobre Segurança Viária
A equipe ainda aconselhou os passageiros strong >que portam mochilas ou bolsas a mantê-las na parte frontal do corpo; enfatizando também a importância da denúncia contra assédios dentro dos veículos coletivos; além disso deram dicas sobre como atravessar as ruas após desembarcar dos ônibus com segurança. “Uma ocorrência bastante comum — especialmente na estação central — é quando as pessoas descem do coletivo e atravessam na frente dos ônibus fora das faixas apropriadas correndo riscos desnecessários”, afirmou Luciane.
No próximo mês será realizada outra ação voltada especificamente para ciclistas e usuários de veículos autopropelidos visando conscientizar todos os integrantes do trânsito local. “Apesar das diversas iniciativas educativas ainda precisamos fomentar mais respeito e empatia nas vias públicas. Continuamos registrando muitos sinistros fatais; atualmente são 16 mortes na área urbana e 11 nas rodovias; isso precisa mudar”, enfatizou Luciane.
Investimentos em Segurança Viária e Apelo por Mudanças Comportamentais
Luciane strong > finalizou destacando que a Transitar strong > tem feito investimentos significativos em melhorias na sinalização vertical e horizontal; implantação de rotatórias; instalação demarcadoresde velocidade; modificações viárias; além da colocação balizadores para orientar motoristas visando aumentar a segurança viária geral . “Entretanto , nada disso terá efeito prático sem uma mudança real nos comportamentos adotados no trânsito “, concluiu . p>
