Wolbitos: Início da Implementação de Tecnologia de Monitoramento em 17 Bairros da Cidade

A partir desta segunda-feira (19), a Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel, em colaboração com o Ministério da Saúde, deu início à implementação de uma tecnologia inovadora para controle e prevenção da dengue. Essa fase envolve a introdução dos Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, em 17 diferentes bairros da cidade. Esses mosquitos são importantes aliados no combate às arboviroses, pois não transmitem os vírus que causam doenças como dengue, Zika e chikungunya. Ao serem liberados, eles se reproduzem com os mosquitos da região, disseminando a bactéria entre as novas gerações e gradualmente reduzindo a capacidade de transmissão dessas doenças.

Bairros

Os bairros que estão sendo beneficiados por essa iniciativa incluem Brasmadeira, Cancelli, Centro, Floresta, Guarujá, Morumbi, Periolo, XIV de Novembro, Santa Felicidade, Interlagos, Esmeralda, Alto Alegre, Brasília, São Cristóvão, Cataratas, Cascavel Velho e Universitário. A soltura dos mosquitos ocorrerá de forma gradual ao longo de um período estimado em 26 semanas — quase cinco meses — e será realizada por agentes capacitados que farão liberações controladas semanalmente utilizando veículos e equipamentos específicos.

Espera-se que a presença dos Wolbitos aumente de maneira autossustentável ao longo do tempo na cidade. Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil, destacou: “Com a população já informada sobre o método e ciente de sua segurança para a saúde pública, iniciamos as liberações dos mosquitos. Este será um trabalho intenso nas próximas semanas e contamos com a colaboração da comunidade na eliminação do mosquito Aedes aegypti e possíveis criadouros. Cada pessoa que contribui para matar o Aedes também apoia nosso método”.

Apoio

Cascavel possui uma infraestrutura mínima para suportar os Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs), que estão estrategicamente posicionados para permitir a soltura dos Wolbitos na área. No total, serão instalados 6.073 pontos de liberação que beneficiarão aproximadamente 215.318 pessoas. Esses dispositivos receberão cápsulas com ovos e ração provenientes da biofábrica; ao entrarem em contato com água, os ovos se transformarão nos insetos diretamente nos locais designados.CNP


A fase de liberação está acompanhada por monitoramento através de ovitrampas que avaliam a eficácia da presença da Wolbachia no ambiente. Estudos mostram que quanto maior for a quantidade de mosquitos portadores da bactéria no local, menor será o número de casos das doenças dengue, Zika e chikungunya. Em Niterói, onde a tecnologia foi amplamente adotada em todo o território, observou-se uma redução significativa nos casos de dengue — cerca de 89%.

Em Cascavel, é recomendado que as DLOs permaneçam instaladas. Caso algum morador encontre esses dispositivos danificados ou jogados no chão, ele pode notificar a Secretaria Municipal de Saúde pelos telefones (45) 3902-1343 ou via WhatsApp (45) 9113-0867.

Sobre o Método

O Método Wolbachia é uma iniciativa gerida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em colaboração com o Ministério da Saúde e operado pela Wolbito do Brasil. Baseada em dados científicos robustos, essa estratégia integra um conjunto abrangente das ações nacionais contra arboviroses. Ao se reproduzirem com os insetos locais, esses mosquitos transmitem a bactéria para suas futuras gerações, aumentando progressivamente sua presença no meio ambiente. Assim sendo, eles têm uma capacidade significativamente reduzida de transmitir dengue, Zika e chikungunya.
A durabilidade dessa metodologia foi comprovada por estudos científicos que indicam que mesmo após oito anos das primeiras liberações os mosquitos continuam mantendo estável a presença da bactéria na população. Atualmente o método abrange 16 cidades brasileiras e protege mais de 8 milhões de cidadãos incluindo Foz do Iguaçu e Cascavel.

Método Wolbachia no Brasil

A Wolbito do Brasil surgiu como resultado estratégico do IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná) em parceria com o WMP (World Mosquito Program), reconhecida como pioneira na implementação do Método Wolbachia no país. Com o objetivo primordial de proteger a população das infecções por dengue, Zika e Chikungunya, promove não apenas a consolidação mas também a expansão dessa estratégia em território brasileiro. Desde 2014 o WMP tem trabalhado junto à Fiocruz para assegurar qualidade e resultados eficazes nesse esforço contínuo.

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