Ratinho Jr mantém mistério sobre próximo líder político enquanto 49 prefeitos abandonam o PL.

A sucessão do governador Ratinho Junior (PSD) passou a dominar o cenário político do Paraná após a confirmação de que ele não disputará a Presidência da República em 2026. A decisão, anunciada nesta semana, reposiciona o foco do grupo governista para a definição de um nome capaz de manter o projeto político no Palácio Iguaçu.

Em entrevista coletiva ontem (26), em Pato Branco, Ratinho deixou claro que a escolha do sucessor ainda está em aberto e será construída de forma coletiva. “A discussão não é apenas de nome. Nós temos que apresentar uma chapa para a população do Paraná”, afirmou.

Apesar de evitar antecipações, o governador indicou dois dos principais nomes em avaliação: o secretário das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi. Ambos já se movimentam intensamente nos bastidores e assumem publicamente a condição de pré-candidatos.

No entanto, Ratinho sinalizou que a escolha poderá ficar para as convenções do partido.

Chapa

Mais do que escolher um nome, o desafio do grupo governista é montar uma chapa completa e competitiva. Isso inclui vice-governador e duas vagas ao Senado, além da formação de alianças partidárias sólidas. Ratinho tem insistido nesse ponto como central na estratégia. “Nós temos grandes nomes […] e a nossa construção é justamente apresentar uma chapa que possa defender os interesses do Paraná”, afirmou.

Nos bastidores, lideranças políticas destacam que a definição do cabeça de chapa passa diretamente pela capacidade de agregar aliados e evitar divisões, fator considerado decisivo para manter a hegemonia do grupo.

A base aliada vive um momento de intensa movimentação, com conversas entre partidos, lideranças regionais e possíveis aliados. O objetivo é evitar rachas internos que possam enfraquecer o grupo na eleição.

Alexandre Curi tem atuado diretamente nessa frente e defende a formação de uma ampla coalizão. “A união é muito importante. A divisão não é favorável ao Estado do Paraná”, afirmou.

Guto Silva também destacou o ambiente de negociação constante, envolvendo partidos e prefeitos. “Estamos conversando, construindo, costurando. Precisa de muita linha e agulha nesse processo”, disse.

Continuidade

O discurso predominante entre os possíveis candidatos é o da continuidade da gestão Ratinho Junior, que aposta em indicadores positivos de áreas como segurança, educação e investimentos para sustentar seu capital político.

A ideia, segundo o próprio governador, é garantir que o próximo governo mantenha o ritmo atual. “Alguém que possa representar e dar continuidade a esse trabalho”, resumiu.

Com o prazo de desincompatibilização se aproximando e as convenções partidárias previstas para julho, a tendência é de definição nas próximas semanas, ao menos do nome que liderará a chapa governista.

Disputa aberta na base

Guto Silva tem reforçado que segue no páreo e participa diretamente das articulações com o governador. “Estamos firmes no jogo […] reunidos todos os dias para encontrar uma chapa competitiva para que o Paraná não pare”, declarou.

O secretário também sinalizou que a definição passa por uma construção estratégica, e não apenas por ambição individual. “O mais importante é manter o time coeso e dar continuidade a esse projeto”, disse.

Alexandre Curi adota discurso semelhante, destacando a necessidade de unidade interna. “Uma candidatura a governador não pode ser um projeto individual. Nenhum projeto é maior que o Estado do Paraná”, afirmou.

Curi, que já se coloca como pré-candidato, indicou que a definição pode ocorrer em breve. “Essa decisão deve ser anunciada até quarta-feira da semana que vem”, disse, sinalizando que o grupo trabalha com um calendário acelerado.

Eduardo Pimentel no páreo?

Segundo informações da capital, a pressão do governador Ratinho Junior para que o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), renuncie ao mandato e concorra ao cargo de governador do Paraná em outubro aumentou. Segundo pessoas próximas ao prefeito, o assédio começou nos últimos dias, depois de Ratinho desistir da campanha presidencial e de ver o PL fechar um acordo com seu principal adversário na disputa pelo comando do estado, o senador Sergio Moro.

Sem candidato definido à beira dos prazos estabelecidos para desincompatibilização e mudança de partidos, o grupo de Ratinho corre para consertar os erros de articulação cometidos até aqui. O plano A de Ratinho, de fazer decolar a candidatura de Guto Silva (PSD), não decolou. Caso Eduardo não tope o plano B, restará ao governador recorrer a um dos dois pré-candidatos que vinha desdenhando até então: o ex-prefeito Rafael Greca (MDB) ou o deputado Alexandre Curi (PSD).

Embora Ratinho pregue cautela publicamente, o movimento interno indica que a escolha do sucessor entrou em fase decisiva. A expectativa agora gira em torno da capacidade do grupo de transformar a disputa interna em consenso, fator que pode ser determinante para o resultado eleitoral de 2026 no Paraná.

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