Cascavel – A irregularidade das chuvas aliada às altas temperaturas tem imposto desafios adicionais aos produtores rurais do Paraná, especialmente nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado. Apesar de impactos pontuais já observados em algumas lavouras, o cenário ainda exige cautela antes de qualquer projeção mais pessimista sobre perdas na safra. No Oeste, a estiagem causou prejuízos pontuais. A região beira-lago de Itaipu é uma das mais castigadas.
Em entrevista ao Jornal O Paraná, Marcelo Garrido, chefe do Deral (Departamento de Economia Rural), vinculado à Seab (Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento), ainda não é possível ter em mãos um levantamento sobre esses impactos. “No início da próxima semana, deverá ser divulgado o relatório sobre as condições das lavouras por região, no Paraná. Por enquanto, o que sabemos, são de relatos pontuais de seca nas regiões do Estado”.
O analista de mercado do Deral, Edmar Gervásio, também considera cedo apresentar uma conclusão definitiva. “Ainda é muito temerário falar em perdas neste momento, pois existe uma boa possibilidade de recuperação das lavouras impactadas pelo clima”, afirma. Segundo ele, a estiagem tem ocorrido de forma localizada, com bolsões onde as chuvas não se distribuíram de maneira regular, afetando principalmente as áreas de milho atualmente em desenvolvimento.
No Paraná, a área estimada de plantio de milho chega a 2,8 milhões de hectares, com expectativa de produção de aproximadamente 17 milhões de toneladas. Mesmo diante das adversidades climáticas, o levantamento mais recente aponta que 91% das lavouras estão em boas condições, enquanto 9% apresentam situação mediana ou ruim. “Se houver recomposição hídrica nos próximos dias, devemos ter uma normalização da safra”, destaca Gervásio.
Cenário
O cenário atual é mais positivo quando comparado ao mesmo período do ano passado, quando apenas 66% das lavouras apresentavam bom desempenho. Para o analista, esse dado reforça a necessidade de cautela antes de generalizar perdas. “Ainda é cedo para cravar perdas generalizadas no Estado”, pontua.
Em relação ao mercado, os preços do milho têm se mantido relativamente estáveis nos últimos meses. Influenciado pelo cenário internacional, especialmente pelos Estados Unidos — maior produtor mundial, com cerca de 400 milhões de toneladas —, o valor pago ao produtor no Paraná oscila atualmente entre R$ 50 e R$ 55 por saca.
Apesar da estabilidade momentânea, há expectativa de mudanças no horizonte. “Devemos esperar alguma alteração no cenário de preços, principalmente pensando nas próximas safras. O produtor precisa considerar o custo de produção, que vem sendo impactado”, explica Gervásio. Entre os fatores de pressão, ele cita o encarecimento dos fertilizantes, impulsionado por tensões geopolíticas, como o conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Diante desse contexto, o produtor paranaense segue atento tanto às condições climáticas quanto às movimentações do mercado, buscando estratégias para mitigar riscos e garantir a sustentabilidade da produção.
SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
A estiagem prolongada que atinge o Paraná já provoca prejuízos milionários no campo e levou 12 municípios a decretarem situação de emergência. A falta de chuvas, mais intensa nas regiões Oeste e Sudoeste, compromete o desenvolvimento das lavouras, impacta a criação de animais e também reduz os níveis de abastecimento de água.
Entre os municípios mais afetados está Capanema, onde as perdas já são estimadas em R$ 69 milhões, conforme levantamento da prefeitura. Diante da gravidade da situação, o município oficializou o decreto de emergência para agilizar ações de enfrentamento e apoio aos produtores.
Além de Capanema, também adotaram a medida os municípios de Boa Vista da Aparecida, Iretama, Laranjal, Santa Helena, Espigão Alto do Iguaçu, Roncador, Nova Prata do Iguaçu, Santa Mariana, Terra Rica, Antonina e Borrazópolis.
A situação preocupa autoridades e produtores, que enfrentam dificuldades crescentes para manter a produtividade e garantir o abastecimento. Sem previsão de chuvas regulares no curto prazo, o cenário segue desafiador e exige medidas emergenciais para reduzir os impactos econômicos e sociais no meio rural.
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