A partir desta sexta-feira (29), a Petrobras implementará um novo ajuste no valor da gasolina vendida nas refinarias para as distribuidoras. O aumento será de R$ 0,48 por litro; no entanto, a empresa estatal concederá um desconto de R$ 0,44 por litro, como parte da subvenção aprovada recentemente pelo governo. Deste modo, o preço da gasolina nas refinarias passará de R$ 2,57 para R$ 2,61, representando um acréscimo de 1,5%. Sem a subvenção de R$ 0,44, o ajuste total nas refinarias seria de 17,12%.
Apesar do aumento anunciado, a Abicom, que representa as importadoras, aponta que a defasagem nos preços permanece significativa. Na última quinta-feira, a Petrobras cobrava R$ 1,37 por litro em seus polos, um valor que supera em 55% o praticado no mercado internacional.
A medida da subvenção para a gasolina faz parte de um conjunto de iniciativas adotadas pelo governo federal com o intuito de amenizar os impactos da alta do petróleo, que disparou após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, ocorridos no final de fevereiro.
O reajuste desta quinta-feira foi viabilizado após a assinatura do decreto pelo presidente Lula (PT) na última segunda-feira, estabelecendo o subsídio de R$ 0,44 por litro. Essa decisão acarretará um custo mensal estimado em R$ 1,2 bilhão para as contas públicas.
Flutuações nos preços dos combustíveis
A última alteração no preço da gasolina aconteceu em janeiro deste ano, quando houve uma redução média de R$ 0,14 por litro nas refinarias, resultando em um valor de R$ 2,57. Em contrapartida, o preço do diesel registrou uma elevação de R$ 0,38 por litro em março deste ano, atingindo R$ 3,65 devido ao início do conflito no Oriente Médio que impulsionou os preços do petróleo. No final de fevereiro, o barril estava cotado em cerca de US$ 70; após o começo das hostilidades, esse valor ultrapassou os US$ 110.
Consequências para as finanças públicas
Conforme explica Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, o aumento no preço da gasolina era imprescindível devido à sua defasagem. Ele menciona que também seria justificável elevar os preços dos demais combustíveis como diesel e gás. Para implementar esses aumentos sem impactar significativamente os consumidores diretamente, é necessário criar uma subvenção – na prática isso significa que recursos públicos estão sendo utilizados para apoiar tanto a estatal quanto os consumidores. “Esse raciocínio está equivocado. Os recursos públicos da subvenção estão sendo direcionados para equilibrar as finanças da Petrobras e evitar reajustes nos preços; no entanto, esse ajuste é pertinente”, afirmou.
