Uma acusação feita pelo influenciador digital e pré-candidato a deputado federal Gabriel Bertolucci (Missão) levantou uma controvérsia que envolve o IPMC (Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Cascavel) e sua relação com a liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025.
No vídeo que circula nas redes sociais, Bertolucci declara que fundos destinados à aposentadoria dos servidores municipais foram aplicados em um fundo imobiliário que acabou sendo vinculado a investigações do grupo Master. Ele alega que essas operações ocorreram durante a gestão do ex-prefeito Leonaldo Paranhos e resultaram em prejuízos aos cofres públicos.
Em resposta às alegações, o IPMC negou as acusações. Em declaração ao Hoje Express, o presidente da autarquia, Alcineu Gruber, afirmou que nunca houve investimento direto em produtos financeiros do Banco Master e garantiu que todas as movimentações financeiras obedeceram à legislação previdenciária vigente. Gruber também enfatizou que não houve perdas para os aposentados e pensionistas.
A polêmica envolve a participação do instituto em um fundo imobiliário destinado ao setor funerário, além de questionamentos sobre as atividades de agentes financeiros investigados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
R$ 10 milhões
<pBertolucci menciona no vídeo que sua pesquisa revelou uma conexão entre Cascavel e o escândalo do Banco Master. Ele afirma que o IPMC alocou recursos no fundo Brazilian Graveyard and Death Care Services, focado em cemitérios e serviços funerários.
O influenciador argumenta que, em 2018, cerca de R$ 10 milhões da previdência municipal estavam investidos nesse fundo e que esses valores teriam servido para operações ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A denúncia também menciona sanções impostas pela CVM e aponta um suposto prejuízo estimado em R$ 900 mil.
O que diz o IPMC?
Conforme Gruber, a aplicação foi realizada em um fundo imobiliário regulamentado pela CVM, negociado em bolsa e com milhares de investidores no Brasil, incluindo vários regimes próprios de previdência social. O instituto ressalta que o fundo não foi criado pelo Banco Master e que qualquer relação entre ambos ocorreu anos após o investimento do IPMC.
A autarquia esclarece ainda que a Master Corretora assumiu a administração fiduciária do fundo apenas em julho de 2025, por escolha dos cotistas. Poucos meses depois, uma nova assembleia decidiu pela sua substituição pela Mérito Distribuidora.
Valores divergentes
Enquanto Bertolucci afirma um investimento próximo a R$ 10 milhões em 2018, o IPMC defende que o aporte nesse ano foi de R$ 6 milhões. Essa disparidade pode ser explicada por variações na valorização ou desvalorização das cotas ao longo do tempo.
Outro ponto contestado pela autarquia é a alegação de que o fundo teria sido utilizado para financiar operações ligadas ao grupo Master. O IPMC garante que não havia vínculo entre o fundo e o Banco Master no momento da aplicação dos recursos.
Multas citadas
No vídeo, são mencionadas penalidades aplicadas pela CVM nos anos de 2022 e 2025. Sobre a primeira multa, o IPMC informa que quando a Master Corretora começou sua atuação como administradora fiduciária, estava devidamente habilitada para operar com regimes próprios de previdência.
A segunda penalidade refere-se a sanções impostas pela CVM aos irmãos Roberto e Márcio Schumann por operações envolvendo cotas do fundo CARE11.
O IPMC teve prejuízo?
Bertolucci afirma que esse investimento resultou em um prejuízo aproximado de R$ 900 mil. Por outro lado, o IPMC assegura que durante o período sob administração da Master Corretora não houve mudanças significativas nos ativos nem impacto negativo no patrimônio dos cotistas. A autarquia ainda se comprometeu a monitorar o encerramento desse investimento buscando vender as cotas por um valor considerado justo.
Carteira de investimentos
De acordo com informações do instituto, atualmente mais de 88% dos recursos estão alocados em renda fixa. Aproximadamente 42% dessa carteira está depositada na Caixa Econômica Federal e os investimentos estão distribuídos entre 28 fundos geridos por 11 instituições financeiras diferentes.
Além disso, segundo dados fornecidos pelo IPMC, seu patrimônio líquido aumentou de cerca de R$ 253 milhões em 2016 para aproximadamente R$ 897 milhões em 2026.
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