No município de Cascavel, sete vidas foram perdidas e 34 pessoas ficaram feridas nos primeiros quatro meses deste ano, além de 93 veículos terem sido danificados. O diretor da Ciretran, Gastão Camargo, expressa sua preocupação com essa situação alarmante.
Camargo ressalta: “O trânsito é uma questão complexa e desafiadora. Contudo, não podemos ficar inertes; a omissão em situações como esta pode ser considerada criminosa”, ao comentar sobre o aumento da violência no trânsito local nos primeiros meses do ano.
Em apenas quatro meses, o número de óbitos superou o total registrado durante todo o ano de 1975. O chefe da Ciretran destaca que “tivemos sete mortes nesse período, enquanto em 1975 ocorreram apenas quatro falecimentos no tráfego urbano. Nunca presenciei tanta violência nas vias!”
Na visão de Gastão Camargo, as recentes mudanças nas regras de trânsito não são as principais responsáveis pelo alto índice de fatalidades. “O número de acidentes permanece estável, mas as mortes aumentaram. Não atribuo isso às alterações recentes; o que se observa são muitos abusos por parte dos motoristas”, afirma.
Ele acrescenta: “A sinalização sozinha não é suficiente; é imprescindível que os motoristas compreendam que dirigir é tão perigoso quanto manusear uma arma”.
O MAL DA RIQUEZA
Mas como explicar o elevado número de acidentes em Cascavel? Para Camargo, a resposta está em um fator crucial: “Alguns anos atrás, a cidade era bem diferente; quase ninguém possuía carro. Com o crescimento econômico impulsionado pela soja, as pessoas começaram a enriquecer. O comércio se fortaleceu e indústrias surgiram. Muitas pessoas vieram para cá e rapidamente alcançaram uma boa condição financeira. A consequência disso foi um aumento significativo na compra de veículos. A maioria dessas pessoas adquiriu carros sem ter a formação adequada ou consciência sobre as responsabilidades que isso implica. Assim, era evidente que os acidentes seriam frequentes. Embora nosso povo tenha um bom poder aquisitivo, o nível cultural ainda é baixo.”
DESDE CRIANÇA
Camargo lista as principais causas dos acidentes em ordem decrescente: 1 – falta de educação; 2 – sinalização inadequada; 3 – grande quantidade de veículos (só na cidade existem cerca de 17 mil carros); 4 – menores dirigindo; 5 – condutores sem habilitação.
<p“O ponto mais crítico dessa situação é a falta de educação entre os motoristas”, enfatiza Gastão. Ele acredita que as instituições educacionais deveriam preparar melhor os futuros condutores. “Desde a infância, todos deveriam aprender as regras básicas do trânsito para que possamos formar uma geração mais consciente no futuro.”
Não culpe apenas a Ciretran
Se você critica severamente a situação do trânsito local e responsabiliza a Ciretran sem rodeios, é importante refletir: nem sempre ela é a culpada. Existem três setores distintos envolvidos na questão do trânsito:
- a – A Prefeitura cuida do planejamento viário, sinalização e sentido das ruas;
- b – A Polícia Militar é responsável pela fiscalização;
- c – Somente a parte burocrática-administrativa cabe à Ciretran.
NOVA SEDE
A nova sede da Ciretran em Cascavel deverá começar sua construção ainda este mês. Este novo espaço contará com uma agência do Banestado, áreas para veículos apreendidos e todas as instalações necessárias para o adequado funcionamento do órgão. O local exato ainda será determinado.
Nota do Editor
É evidente que a violência no trânsito em Cascavel não é um problema recente. Na primeira edição do jornal Hoje, publicada em 1º de maio de 1977, uma matéria na página 24 abordava uma realidade que permanece atual: os acidentes e vítimas fatais nas ruas da Capital do Oeste são consequências diretas da falta de educação e conscientização dos motoristas.
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