Lula e Flávio intensificam competição, enquanto sondagens apresentam resultados contraditórios para o segundo turno

Brasília – A 10 dias do primeiro turno, três levantamentos divulgados ontem (24) revelam que a competição presidencial está focada em Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas as análises sobre um possível embate direto apresentam divergências. Enquanto Datafolha e PoderData/Aya indicam empate técnico no segundo turno, a pesquisa da Futura mostra uma vantagem para o senador em relação ao presidente.
No primeiro turno, as intenções de voto dos candidatos somam 76% segundo o Datafolha, 80% no PoderData/Aya e 78,8% na Futura. Essa concentração revela a predominância dos dois na etapa final da campanha, com os outros concorrentes ficando atrás nas preferências. É importante notar que os dados refletem o momento das entrevistas e não garantem a posição de nenhum candidato.

Disputa intensa no primeiro turno

No levantamento do Datafolha, Lula aparece com 40% e Flávio com 36%. Na pesquisa anterior, realizada uma semana antes, os números eram de 39% para Lula e 36% para Flávio. A variação do presidente se encontra dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Com uma diferença de quatro pontos, ambos estão em situação de empate técnico considerando os intervalos.
Augusto Cury (Avante) é mencionado com 5%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, e Renan Santos (Missão) conta com 3%. Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) têm 1% cada um. Juntos, brancos, nulos e votos para nenhum somam 5%, com 2% dos entrevistados ainda indecisos.
Na pesquisa do PoderData/Aya, Lula registra 41% e Flávio aparece com 39%, também em empate técnico devido à margem de erro de 1,8 ponto percentual. Cury tem agora 6%, Renan mantém-se com 3%, enquanto Caiado tem apenas 2%. Por sua vez, a Futura apresenta uma inversão: Flávio alcança 40,4%, enquanto Lula tem 38,4%. A diferença de dois pontos permanece dentro das margens de erro da pesquisa.

Cenários para o segundo turno

As simulações para o segundo turno mostram resultados mais contrastantes. O Datafolha aponta Lula com 47% contra Flávio que possui 45%. Ambos tiveram um aumento de um ponto em relação à pesquisa anterior, mantendo a mesma distância numérica. Os votos brancos e nulos representam agora 7%, enquanto os indecisos somam apenas 1%.
Na análise do PoderData/Aya, Flávio surge com 46%, ligeiramente à frente de Lula que tem 45%. O senador manteve seu percentual anterior enquanto o presidente subiu um ponto. A diferença entre eles está reduzida a um ponto, mas ainda caracteriza um empate técnico.
A Futura apresenta Flávio com uma vantagem mais expressiva: ele marca 49,4% contra os 43,7% de Lula. Essa diferença de 5,7 pontos ultrapassa as margens de erro de ambos os candidatos que são de 2,2 pontos cada. Nesse cenário alternativo, brancos e nulos correspondem a 5,6%, enquanto os indecisos representam 1,3%.
Os resultados convergem quanto ao protagonismo dos principais adversários; contudo, as vantagens em um possível confronto direto divergem entre as pesquisas. Apenas a Futura indica uma separação clara nos intervalos entre os candidatos na simulação.

Metodologias e confiabilidade das pesquisas

O Datafolha foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo e ouviu um total de 2.002 pessoas maiores de idade nos dias 22 e 23 de setembro. Com margem de erro fixada em dois pontos percentuais, seu registro no TSE é BR-00304/2026.
O PoderData/Aya realizou seu levantamento por meio de entrevistas telefônicas com três mil pessoas entre os dias 20 e 23 de setembro em municípios das diversas unidades da Federação. Com financiamento próprio, sua margem é de 1,8 ponto percentual e registro BR-01739/2026.
A Futura também utilizou entrevistas por telefone com duas mil pessoas entre os dias 19 e 23 de setembro utilizando recursos próprios. Sua margem é estabelecida em dois pontos percentuais e está registrada como BR-05268/2026. Todos esses estudos apresentam um nível de confiança estimado em até 95%.
É fundamental considerar tanto o período das coletas quanto as metodologias utilizadas nas comparações. Resultados de diferentes institutos não devem ser interpretados como sequências lineares ou tendências definitivas. Para entender melhor as movimentações eleitorais é essencial olhar para a série histórica de cada pesquisa.

Voto consolidado e elevada rejeição

O levantamento do Datafolha revela que impressionantes 80% dos entrevistados afirmam estar totalmente decididos sobre suas escolhas para presidente; apenas cerca de 20% demonstram possibilidade real de mudar seu voto. Entre os apoiadores de Lula essa decisão está firmemente consolidada para cerca de 87%; já entre os seguidores de Flávio essa taxa é ligeiramente menor: cerca de 85%.
Contudo, ambos compartilham altos índices de rejeição: aproximadamente 45% dos entrevistados afirmam que não votariam sob nenhuma circunstância em Lula ou Flávio; na rodada anterior esse número era ainda maior: cerca de47%. A combinação das bases eleitorais sólidas junto à rejeição significativa ajuda a explicar o esforço contínuo pela conquista dos eleitores fora desses núcleos.
Na pergunta espontânea — sem apresentação dos nomes — Lula obteve uma menção espontânea igual a25%, enquanto Flávio registrou cerca de27%. O número dos indecisos caiu levemente: passoude21% para18%. A discrepância entre as respostas espontâneas e estimuladas enfatiza que declarar uma preferência ao ouvir os nomes não equivale a citar um candidato por conta própria. Assim sendo,a reta final da disputa se concentra tanto nos indecisos quanto naquele eleitor que já declarou apoio mas pode reconsiderar sua escolha.

O post Disputa acirrada entre Lula e Flávio: divergência nas pesquisas sobre o segundo turno apareceu primeiro em O Paraná – Jornal de Fato.