Na última terça-feira (9), o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPPR (Ministério Público do Paraná) deu início à segunda fase da Operação Raio-X. O foco da investigação é um suposto esquema de fraudes em licitações, além de corrupção ativa e passiva relacionado aos contratos para a manutenção dos equipamentos radiológicos no Centro de Imagens do HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná), localizado em Cascavel.
Sob a ordem da 4ª Vara Criminal de Cascavel, foram executados simultaneamente seis mandados de busca e apreensão em várias cidades paranaenses, incluindo Cascavel, Curitiba, Maringá, Marialva e Londrina, além de Aquiraz, no Ceará. Durante a operação, documentos e mídias digitais foram confiscados e passarão por uma análise técnica detalhada pelo Gaeco para determinar a extensão das irregularidades e identificar possíveis outros envolvidos.
Manipulação nas licitações
As investigações revelaram que o grupo criminoso atuava manipulando a fase interna dos pregões eletrônicos organizados pelo hospital. O esquema envolvia a criação de orçamentos falsos e o preenchimento de cotações prévias com valores previamente acordados, aumentando artificialmente o preço de referência utilizado nos editais.
No momento da disputa das licitações, as empresas que participavam do conluio não competiam genuinamente entre si. Dessa forma, a empresa favorecida era proclamada vencedora ao oferecer descontos mínimos e valores muito próximos ao teto estabelecido pela administração pública.
A promotora Juliana Stofela da Costa, encarregada das investigações, detalhou que o direcionamento dos contratos implicava o pagamento de vantagens indevidas a um servidor público que exercia funções como chefe do Centro de Imagens e fiscalizador dos contratos.
“A estratégia inicial incluía manipular a fase interna dos pregões eletrônicos. Para garantir o direcionamento dos contratos, os envolvidos elaboravam orçamentos fictícios e preenchiam cotações prévias com valores acertados. Na etapa pública das licitações, as empresas participantes do conluio não realizavam uma disputa real pelos lances, permitindo que a principal empresa vinculada ao esquema fosse anunciada como vencedora”, explicou a promotora.
A investigação também revelou um padrão nas movimentações financeiras. Segundo o Ministério Público, as transferências realizadas ao servidor investigado ocorriam frequentemente em datas muito próximas aos pagamentos feitos pelo hospital às empresas contratadas, reforçando assim as suspeitas sobre pagamentos de propina em troca do favorecimento nas licitações.
Desdobramentos da Operação Raio-X
A primeira fase da Operação Raio-X foi iniciada em maio de 2025, quando o Gaeco cumpriu nove mandados de busca e apreensão em cidades como Cascavel, Quedas do Iguaçu, Cafelândia e Maringá.
Essas investigações tiveram início após uma denúncia que apontava possíveis crimes contra a administração pública relacionados aos serviços especializados de radiologia prestados ao hospital na última década. As apurações já indicavam suspeitas de fraudes em licitações e favorecimento indevido às empresas contratadas.
Com os materiais coletados na primeira fase e o aprofundamento das investigações subsequentes, o Ministério Público avançou para esta segunda etapa da operação com o objetivo de consolidar provas e esclarecer as responsabilidades dos envolvidos no suposto esquema criminológico.
Até agora, os nomes dos investigados não foram divulgados pelo MPPR e as investigações continuam em andamento.
Posicionamento do HUOP
<p Em resposta à reportagem solicitada por O Paraná, o Hospital Universitário do Oeste do Paraná esclareceu que não é alvo das ações movidas pelo Ministério Público relacionadas ao caso investigado. Em comunicado oficial, a instituição afirmou que as medidas judiciais são direcionadas exclusivamente contra uma empresa prestadora de serviços contratada pela unidade.
O HUOP enfatizou ainda seu compromisso com a transparência durante todo o processo investigativo. A instituição está cooperando plenamente com as autoridades competentes ao fornecer toda documentação e contratos solicitados. “O HUOP reafirma seu compromisso com a legalidade e com a colaboração total com a Justiça”, conclui o comunicado.
