Concessão do Hospital de Retaguarda enfrenta impasse um mês após licitação

Cascavel – O processo de licitação para a concessão onerosa do Hospital de Retaguarda ainda está em fase de análise, quase um mês após a abertura das propostas. A licitação ocorreu no dia 11 de setembro, após a primeira data ter sido adiada pela própria Prefeitura. Neste certame, apenas uma empresa se apresentou, oferecendo um valor superior a R$ 9 milhões para um contrato de 10 anos, o que implica um repasse mensal de R$ 75 mil ao Município.
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que o procedimento encontra-se em análise técnica. A subcomissão responsável pela avaliação das propostas técnicas apontou a necessidade de esclarecimentos e documentação adicional relacionada aos critérios de qualificação e experiência técnica da empresa. Após essa recomendação, foi realizada uma diligência com a empresa proponente, que posteriormente enviou as informações complementares necessárias, retornando o processo à subcomissão para nova avaliação.
“Neste momento, não existe uma empresa declarada vencedora. O processo segue sob análise tanto técnica quanto administrativa. A definição do vencedor ocorrerá somente após a conclusão dos pareceres da Subcomissão, além do cumprimento integral das exigências legais estabelecidas no edital por parte da licitante. Não há previsão para assinatura do contrato. A homologação e celebração do termo de concessão dependem da finalização dos pareceres técnicos e do atendimento completo às exigências legais”, destacou a pasta em nota.
A primeira licitação estava programada para o dia 14 de maio, mas foi suspensa pelo Município antes da abertura das propostas. Na ocasião, foi informado que seria necessária uma revisão no edital em função das observações feitas pela equipe técnica, seguindo recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Um dos itens do edital poderia gerar interpretações divergentes e questionamentos futuros, relacionado ao repasse financeiro da prefeitura destinado à manutenção dos atendimentos no hospital.

Gastos elevados e melhorias previstas

A proposta visa transferir a gestão do hospital para uma empresa especializada, visto que atualmente os custos mensais da unidade são próximos de R$ 3 milhões.
Dentre as alterações realizadas no edital, destaca-se a inclusão da construção de um elevador de emergência, atendendo solicitação feita durante uma vistoria realizada pelo Corpo de Bombeiros. Além disso, será criado um Ambulatório de Ortopedia para atender casos menos complexos e aliviar a demanda nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
A concessionária ficará responsável por toda a administração da unidade hospitalar, o que inclui contratação de profissionais, compra de insumos e operação geral do hospital. O projeto também prevê investimentos em melhorias estruturais significativas, como a implantação de uma sala de tomografia nos próximos dois anos, revitalização da UTI e modernização das enfermarias.

Ampliação e novos leitos

Em paralelo a esse processo licitatório, prossegue a obra de ampliação do hospital, com previsão de conclusão até o final de novembro. O investimento total na reforma e ampliação supera R$ 8 milhões e inclui a instalação de uma nova subestação elétrica para garantir maior segurança energética ao hospital, além de um sistema backup para assegurar segurança total durante os procedimentos. Após a conclusão das obras, o hospital contará com 24 leitos na enfermaria e 11 leitos ortopédicos adicionais aos já existentes 50 leitos na enfermaria e 10 na UTI, totalizando assim 95 leitos disponíveis.
Com essa ampliação serão criadas três novas salas cirúrgicas junto com uma estrutura auxiliar voltada para pós-operatório, centralizando materiais necessários dentro desses espaços. Um novo espaço administrativo está sendo construído juntamente com áreas destinadas ao depósito e carga/descarga integradas à nova área ortopédica.
Esse aumento na capacidade deve contribuir para reduzir as demandas sobre o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), principal referência na região. As obras estão sendo conduzidas pela empresa Costa Oeste Construções, localizada em Cascavel; o novo edifício contará com três andares destinados aos novos leitos. Este espaço já abrigou anteriormente a UPA Brasília e o antigo Hospital Santa Catarina.

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