Cascavel se prepara para a chegada dos wolbitos com o início do método Wolbachia em outubro

Cascavel se prepara para implementar uma iniciativa promissora no combate à dengue, zika e chikungunya a partir de outubro. O Método Wolbachia consiste na liberação controlada de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia. Esse microrganismo inibe o desenvolvimento dos vírus causadores dessas doenças e é encontrado em aproximadamente 60% das espécies de insetos, embora não esteja presente nos Aedes aegypti.

Conforme informações fornecidas pela gerente de Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Educação de Cascavel, Clair Wagner, mais de 6 mil dispositivos serão distribuídos em cerca de 18 bairros, beneficiando uma população estimada em 215.318 pessoas. Os bairros selecionados foram aqueles que apresentam um número elevado de casos, como Brasília, Brasmadeira, Cascavel Velho, Cataratas, Centro, Floresta, Guarujá, Interlagos, Morumbi e São Cristóvão. Até o momento, a cidade registrou 284 casos confirmados de dengue e oito de chikungunya neste ano epidemiológico.

Wagner detalhou que os dispositivos serão colocados em árvores e em áreas públicas e serão monitorados semanalmente. Esses equipamentos são recipientes plásticos pequenos que contêm cápsulas com ovos de mosquitos. Após serem preparados com água, os dispositivos serão instalados em diversos locais da cidade. “É fundamental que a população participe ativamente deste processo e evite retirar ou danificar os dispositivos. Se algum recipiente for encontrado fora do lugar, é recomendado entrar em contato com a Vigilância Ambiental para que uma equipe possa removê-lo”, esclareceu.

A gerente acrescentou que, ao cruzar-se com os mosquitos locais durante sua reprodução, haverá um aumento gradual da população portadora da bactéria. A presença da Wolbachia diminui a capacidade dos mosquitos de transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya. “Essa metodologia trará grandes benefícios à população local, complementando as ações já existentes no combate ao mosquito transmissor da dengue”, comentou Clair Wagner.

Capacitação

No mês anterior, aproximadamente 50 agentes de endemia participaram de um treinamento voltado para a implementação do método na cidade. Esta formação foi conduzida pela equipe responsável pelo projeto e tem como objetivo preparar os profissionais para o manuseio e instalação dos DLOs (Dispositivos de Liberação de Ovos), essenciais para a introdução dos mosquitos com Wolbachia no município.

Wagner informou que foram iniciadas negociações com a Fiocruz para receber os wolbitos até o final de 2025. Com o contato com água, os ovos iniciam seu ciclo de desenvolvimento até se tornarem mosquitos. A presença da Wolbachia nos Aedes aegypti é crucial porque impede a proliferação dos vírus relacionados às doenças mencionadas anteriormente. Em situações onde há pouca vegetação ou em condições específicas, poderá ser necessário instalar dispositivos dentro das residências; nesse caso, será solicitado acesso aos quintais somente com autorização dos moradores.

Para garantir a segurança durante as operações, as equipes estarão uniformizadas e identificadas com crachás e veículos oficiais da frota municipal. O trabalho será realizado pelos agentes que participaram do treinamento enquanto os demais continuarão suas atividades habituais. Essa estratégia já está sendo aplicada em várias cidades brasileiras e também em outros países.

Calor

Embora o período frio tenha trazido uma queda nas preocupações relacionadas às doenças transmitidas por mosquitos, a chegada do calor gera novas apreensões. As temperaturas elevadas podem favorecer a proliferação do mosquito transmissor das doenças e potencialmente aumentar o número de casos. Assim, recomenda-se manter uma limpeza regular nos imóveis e eliminar qualquer local capaz de acumular água.

Desde junho passado, os agentes têm utilizado uma ferramenta tecnológica importante para intensificar as ações preventivas contra doenças endêmicas. Foram adquiridos 164 tablets para serem usados nas vistorias diárias nos bairros da cidade; esta tecnologia se integrará à rotina das equipes em campo permitindo que as informações coletadas sejam registradas e enviadas ao sistema da secretaria ao final do dia. O investimento alcançou cerca de R$ 170 mil oriundos da Secretaria Estadual de Saúde. 

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