Uma determinação provisória do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) suspendeu uma investigação que estava progredindo sobre as atividades comerciais e as finanças dos filhos do ex-prefeito Leonaldo Paranhos. A defesa argumentou que a apuração dos familiares caracterizaria uma investigação indireta contra o ex-prefeito, o que poderia levar o caso a ser julgado em foro privilegiado.
A tática da defesa é evidente: ao sustentar que investigar os filhos implica investigar o pai, eles pretendem transferir o caso da primeira instância para o Tribunal. Essa alteração não apenas muda a condução da investigação, mas também impacta a celeridade das apurações.
A situação se intensificou quando as autoridades começaram a analisar o patrimônio e as empresas associadas aos filhos de Paranhos. As diligências planejadas incluíam um estudo sobre a evolução financeira e a correlação dos dados com documentos já obtidos na fase do inquérito.
A origem deste desdobramento remonta a 2023, quando o empresário Francisco Simeão Rodrigues Neto, durante uma entrevista no podcast Papo Reto (CATVE), afirmou que poderia ajudar vereadores em suas campanhas eleitorais. Na mesma ocasião, ele mencionou a aprovação do Plano Diretor, uma lei fundamental para o crescimento urbano que pode beneficiar diretamente negócios imobiliários.
<pEm resposta, a Divisão Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR) abriu um inquérito, iniciando a coleta de documentos e depoimentos para aprofundar as investigações. À medida que as apurações avançaram, novas acusações surgiram envolvendo Paranhos, que foi acusado de facilitar negócios durante seu tempo no cargo – ele exerceu dois mandatos como prefeito de Cascavel: 201/2020 e 2021/2024.
O caso foi inicialmente enviado ao Tribunal, considerando a posição ocupada por Paranhos, mas voltou à primeira instância após se concluir que não havia evidências suficientes para prosseguir contra ele naquele momento. As investigações continuaram focadas em outros envolvidos até atingir o núcleo familiar, alterando substancialmente os rumos do processo.
Liminar
No dia 30 de março, o desembargador Luís Carlos Xavier determinou a suspensão das diligências e do próprio inquérito. Embora esta seja uma decisão temporária, ela já possui efeito imediato: nada poderá avançar até que haja uma avaliação mais detalhada e um julgamento final da ação, cuja data permanece indefinida.
“Congelado”
Dessa forma, a investigação encontra-se paralisada. A polícia está impedida de realizar novas buscas ou continuar com análises patrimoniais, especialmente aquelas relacionadas aos filhos do ex-prefeito. A suspensão ocorre logo após uma nova denúncia indicar que empresas vinculadas à família de Paranhos movimentaram pelo menos R$ 54 milhões durante e após seus mandatos, conforme informações públicas e registros comerciais.
Diante desse cenário, permanece válida a expressão: “quem não deve, não teme”. Entretanto, quando as investigações se aproximam da família e são transferidas para outra instância, surge uma nova interrogação: se não há irregularidades, por qual motivo interromper um processo que poderia esclarecer os fatos?
